🐴 Dead Horse Point: o que lá encontras
Um miradouro a seiscentos metros sobre uma curva do Colorado, lagos azuis que ali não pertencem e o fim de um filme famoso: cinco minutos de leitura.
Dead Horse Point não é parque nacional, mas parque estadual do Utah. É pequeno, percorre-se numa manhã e tem um dos melhores miradouros de todo o planalto do Colorado.
Fica junto à cidade de Moab, a pouca distância do desvio para Canyonlands, e a maioria das pessoas passa por cá "só uma hora" a caminho de outro sítio. Depois ficam lá duas.
O miradouro
O esporão avança para o vazio e acaba a mais de seiscentos metros acima do Colorado. Por baixo, o rio faz um laço quase completo — contorna uma língua de rocha e volta quase ao mesmo ponto.
A esta distância vê-se de uma só vez toda a geologia da região: camadas horizontais de arenito como os pisos de um prédio e, entre elas, terraços nascidos de cada camada se desfazer a ritmo diferente. Com bom tempo vê-se daqui a oitenta quilómetros, até às montanhas La Sal.
O mais forte é ao nascer do sol. O desfiladeiro está virado de tal modo que a primeira luz chega primeiro às paredes distantes e só depois desce até ao rio; o vale acende-se portanto de cima para baixo durante uns vinte minutos.
De onde vem o nome
O esporão liga-se ao resto do planalto por um istmo com cerca de trinta metros de largura. É tão estreito que basta fechá-lo com uma vedação para se ter um curral de muitos hectares de onde nada consegue sair.
Foi exactamente assim, segundo a tradição local, que os vaqueiros o usaram no século dezanove: enxotavam para cá uma manada de mustangues bravos, barravam o istmo com ramos e escolhiam os animais que queriam. O resto, diz-se, deixavam-no ali, e desse curral não saía.
Os cavalos do esporão morreram de sede à vista do rio, que corria seiscentos metros mais abaixo. Se aconteceu mesmo assim não está documentado em lado nenhum — mas o nome do sítio é esse.
Lagos azuis que ali não pertencem
Se do miradouro olhares para sudoeste, verás lá em baixo no deserto rectângulos de azul intenso. Parecem uma montagem e são os tanques de evaporação de uma mina de potassa — o sal de potássio de que se faz adubo.
O sal dissolve-se debaixo da terra com água, a solução é bombeada para cima e deixada a evaporar. E como a evaporação é mais rápida quando a água absorve mais calor do sol, tinge-se de azul. A cor, portanto, não tem nada a ver com o mineral — é um acelerador.
Ao lado ficou um pedaço de paisagem abandonada com caminhos por onde já ninguém anda. De seiscentos metros aquilo tudo parece um grande quadro abstracto.
Aquele filme
Em 1991 filmou-se aqui a cena final do filme Thelma e Louise — aquela em que o carro voa pela borda.
No filme diz-se que é o Grand Canyon. Não é o Grand Canyon nem nunca foi; a produção escolheu Dead Horse Point porque daqui se vê mais de uma vez e porque se consegue chegar cá com o equipamento. Quem conhece a cena reconhece o lugar de imediato.
Filmou-se aqui também a sequência de escalada do início do segundo Missão Impossível, embora essa noutra rocha ali perto.
Escuridão
Desde 2016 Dead Horse Point está inscrito como parque de céu escuro. Moab está longe que baste e é pequena que baste para isso funcionar.
O miradouro está aberto toda a noite e no Verão acontecem ali duas coisas ao mesmo tempo: por cima a Via Láctea e, seiscentos metros mais abaixo, de vez em quando uma única luz — o frontal de alguém que vai pela White Rim Road.
Prático
A entrada paga-se à parte; o passe dos parques nacionais aqui não vale — é um parque estadual, outra bilheteira.
A água é trazida em cisterna, portanto nem no parque de campismo nem no miradouro se pode encher sempre; conta com trazer a tua. Sombra não há.
E quem chegar de bicicleta tem aqui o Intrepid Trail System: cerca de trinta quilómetros de circuitos pela borda do planalto, que estão entre os terrenos mais fáceis à volta de Moab — o que diz mais sobre Moab do que sobre estes trilhos.