🏜️ Island in the Sky: o que lá encontras
Uma mesa seiscentos metros acima do que a rodeia, um arco que se acende por baixo e uma cratera sobre a qual se discutiu cem anos: cinco minutos de leitura.
Island in the Sky é a parte norte das três em que se divide o parque nacional de Canyonlands, no Utah. É uma mesa — um planalto plano a cerca de 1 800 metros, que se ergue uns seiscentos metros acima dos desfiladeiros em redor.
O nome assenta-lhe. Ao planalto sobe uma única estrada, que atravessa um istmo rochoso estreito com precipício dos dois lados. Para lá dele há uma planície de várias centenas de quilómetros quadrados, de onde só descem dois caminhos transitáveis.
As três partes de Canyonlands estão separadas por rios e não se pode passar de carro entre elas: de Island in the Sky à vizinha Needles são mais de duas horas de carro, embora através do desfiladeiro sejam quinze quilómetros.
Mesa Arch
Um dos nasceres do sol mais fotografados do Utah, e com razão.
O arco é pequeno e fica mesmo na beira da falésia. Quando o sol nasce, não o ilumina de cima, mas de baixo: os raios reflectem-se na parede por baixo do arco e acendem a sua face inferior de vermelho. Parece que a pedra brilha sozinha.
Dura uns vinte minutos. O caminho até ao arco tem apenas setecentos metros, por isso às cinco da manhã há cinquenta carros naquele pequeno estacionamento e uma fila de tripés junto ao arco. Leva-se a coisa desportivamente e as pessoas dão lugar umas às outras.
Grand View Point
O miradouro no fim da estrada e a melhor vista de conjunto que há no parque.
Dele vê-se o sistema de desfiladeiros em três andares: em cima o planalto onde estás, por baixo o largo terraço branco chamado White Rim e só por baixo desse os desfiladeiros propriamente ditos com os seus rios, que daqui quase não se vêem. É justamente esse escalonamento que distingue Canyonlands do Grand Canyon — aqui olhas para um labirinto, não para um único corte.
No horizonte estão três serras: La Sal a leste, Abajo a sul e as Henry Mountains a sudoeste, que foram a última cadeia montanhosa baptizada no território dos Estados Unidos.
Upheaval Dome
Upheaval Dome é uma formação circular com cerca de cinco quilómetros de diâmetro. No seu centro há camadas de rocha quase verticais e caoticamente revolvidas, embora a paisagem em redor seja feita de camadas quase perfeitamente horizontais.
Durante mais de cem anos os geólogos discutiram a sua origem. Uma teoria afirmava que de grande profundidade tinha subido um domo salino que empurrou para cima as rochas sobrejacentes como uma bolha gigante. A outra supunha que ali tinha caído um meteorito.
As provas decisivas só chegaram no início do século vinte e um. Nas rochas foi descoberto o chamado quartzo de choque — um mineral com deformações microscópicas que surgem apenas sob a pressão extrema que acompanha o impacto de um grande meteorito. Os processos geológicos comuns no interior da Terra não conseguem gerar tal pressão.
Por isso Upheaval Dome é hoje considerado uma cratera de impacto fortemente erodida, com cerca de 60 milhões de anos. Originalmente era bastante maior e mais funda. O que hoje vês é a sua parte central, posta a descoberto por milhões de anos de erosão que levaram aproximadamente um quilómetro de rocha que estava por cima.
White Rim Road e Shafer Trail
Por baixo do planalto corre a White Rim Road: um circuito de cento e sessenta quilómetros por aquele terraço branco, todo em terra batida, só para todo-o-terreno e bicicletas de montanha. Percorre-se em dois a três dias com dormida e é preciso autorização, porque o número de acampamentos é limitado.
Desce-se para ela pelo Shafer Trail — curvas em ziguezague talhadas na parede, que do Grand View Point se vêem como um rabisco. Foram construídas nos anos cinquenta para os camiões que levavam minério de urânio; na febre do urânio Canyonlands era uma grande área cheia de minas e galerias de urânio, e muitos dos caminhos turísticos de hoje são as antigas estradas mineiras.
Aqui não há água
Em todo o planalto não encontras água potável. O centro de visitantes tem uma torneira na época, e mais nada — nem nascentes, nem ribeiro, nem restaurante.
A recomendação do parque são quatro litros por pessoa e por dia, o que soa exagerado até se estar ali às duas da tarde em Junho. Sombra no planalto há muito pouca e a loja mais próxima é em Moab, a quarenta minutos.
Em compensação, Canyonlands está muito mais vazio do que o vizinho Arches: vêm cá por ano cerca de oitocentas mil pessoas e a maioria cabe em dois miradouros de Island in the Sky. A terceira parte do parque, o Maze, está entre os lugares mais remotos dos Estados Unidos e chegar lá leva um dia inteiro mesmo com todo-o-terreno.